MINISTRA ELIANA CALMON se faz presente na Conferência Internacional da FIFCJ/ABMCJ tratando sobre Liderança Feminina – Confira o conteúdo da palestra

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INTRODUÇÃO

O Movimento Feminista que se desenvolve há mais de cem anos, pode ser dividido em três etapas distintas, cada uma delas caracterizada pela preponderância dos interesses protagonizados, identificados como ondas.

Na Primeira Onda procuraram as mulheres reivindicar iguais direitos políticos e combater a violência, tendo-se a ilusão de que no dia em que as mulheres fossem cidadãs aptas a votar e serem votadas na sua plenitude política, estaria praticamente solucionada ou pelo menos minorada a onda de violência física e psicológica  dominante em um mundo machista e preconceituoso.

Os anos foram passando, os direito políticos foram alcançados, pelo menos sob o aspecto legal e as mulheres continuavam a ser tratadas de forma desigual e violenta, o que desencadeou a mudança do movimento feminista para lutar pela igualdade entre homens e mulheres, na certeza de que, desaparecendo a desigualdade, cessaria a violência. Temos então a Segunda Onda que se caracterizou pelo combate à desigualdade e à violência.

E na saga de combater a violência, alcançou o Movimento Feminista a Terceira Onda, com uma guinada de entendimento, diante da dificuldade sentida em se obter a igualdade de gênero, pela interferência de inúmeros fatores tais como religião, desigualdade social, traços culturais e posição econômica.

Aliou-se na constatação quanto a dificuldade de se obter a igualdade, o fato de se deixar sem amparo do movimento de gênero personagens que se apresentavam com profundas diferenças ligadas ao sexo, sem que se identificasse com homem ou mulher, mas uma terceira espécie protagonizada pelo Movimento LGBT .

A Terceira Onda traçou como meta eliminar toda e qualquer discriminação e fortalecer o empoderamento das mulheres, traduzido no entendimento de se encetar esforços para dar às mulheres cada vez mais poder, em todos os sentidos, principalmente na política e na economia.

Na fase da Terceira Onda nasce a ONU MULHER em 2010, protagonizando o combate à violência, principalmente sob a forma de assédio, e eliminação de todas as espécies de discriminação.

A criação na ONU de um diretoria voltada especificamente para cuidar das políticas dos Movimentos Feministas foi de fundamental importância para dar maior visibilidade ao movimento, possibilitar agendas internacionais e sobretudo credibilidade pela importância institucional da entidade.

O Brasil vem acompanhando todas as fases do Movimento Feminista, principalmente depois de 1995, quando o pais se preparou com afinco para a IV Conferência Mundial das Mulheres em Pequim, sendo signatário do Protocolo de Beijing.

De lá para cá muitas vitórias foram alcançadas, sendo a maior das conquistas a Lei Maria da Penha (lei nº11.340/2006), diploma que alterou o Código Penal, aboliu a pena alternativa considerada uma chaga social, desconsiderou a agressão à mulher delito de pequeno potencial ofensivo, deixando explicitado na lei as diversas espécies de violência (patrimonial, sexual, física, moral e psicológica), afastando de uma vez por todas o entendimento de que a agressão reprimida pelo Estado era apenas a agressão física à mulher.

Atualmente,  embora ainda se lute contra a violência,  principalmente a violência doméstica e a violência nominada de assédio, busca o Movimento Feminista, nessa Terceira Onda, dar mais poderes às mulheres em cargos de relevância, em quatro direções principais:

  • participação econômica da mulher no mercado de trabalho;
  • empoderamento político formal e informal;
  • conquistas educacionais;
  • saúde e bem estar para bem exercer o poder.

LIDERANÇA FEMININA

No caminho do empoderamento está a necessidade de desenvolver na mulher a arte de comandar pessoas, atrair segadores, influenciando pensamentos e formação, atividades próprias de um líder. Em outras palavras, tornou-se necessária a preparação das mulheres para liderança.

A partir dos anos 70, graças à evolução dos movimentos feministas, houve espetacular evolução na formação de lideres femininas da melhor espécie, principalmente na iniciativa das empresas privadas, onde impera a subida funcional pela meritocracia, a ponto de situar-se hoje o Brasil com um percentual de líderes mulheres na faixa de 16%, enquanto a média mundial é de 12%. Ressente-se o Brasil, entretanto, de maior participação de lideres mulheres nas entidades públicas, onde ainda impera o poder masculino, favorecido pela ascensão obediente a critérios político. Percebe-se claramente que o poder público brasileiro tem um moderno discurso externo de modernidade, aderindo à igualdade de gêneros, mas internamente as suas práticas ainda são machistas.

Estudos sociológicos apontam a mulher como líder nata. Biologicamente são apontados na mulher características que as leva à liderança com maior facilidade.

Destacam os estudiosos como pontos positivos: intuição aguçada, capacidade de agir em muitas direções, persistência, resistência psicológica ou resiliência (recobrar a adaptação às mudanças), visão sistêmica, personalidade inovadora e adaptação a mudanças, dentre outras.

Mas como nem tudo pode ser perfeito, existem as falhas humanas e biológicas que fazem a mulher vulnerável ao desenvolvimento como líder. Dentre esses pontos destacam-se: cultura patriarcal, dificuldade de compatibilizar a vida profissional com a vida familiar, falta de habilidade lidar com a competição com outras mulheres, masculinidade da mulher assumida quando no desempenho de posição de poder, vitimização.

De todos, o que se apresenta mais deletério, provocando o atraso do movimento,  é a vitimização. A mulher coitadinha, que se diz vítima do pai, do irmão, do patrão, do namorado, do marido ou companheiro, enfim de todos os homens que atravessaram sua vida, sem um centímetro sequer de exame de consciência, não sendo raros os queixumes, até mesmo de mulheres que estão no exercício de poder causam muito mal ao movimento e a elas próprias. Não é difícil encontrarmos reclamações como: se aproveitaram de mim por eu ser frágil, por ser mulher, vejam o que fizeram comigo, jamais fariam isto se eu fosse homem, eu sou uma mulher sozinha sem ter um homem ao meu lado para me dar suporte, eu não me tornei grande e independente porque fui vítima de preconceito, e outras coisas desse tipo.

A mulher vitimada só favorece a superioridade masculina e desmerece as outras mulheres.

Para vencer, seja homem ou mulher é preciso colocar a competência como foco principal. Mesmo que tenha a mulher sido vítima de uma educação repressora, de um mau casamento, de um chefe machista e preconceituoso é preciso que tome iniciativa, e vá em frente.

Sempre lembro, quando vejo uma mulher efetivamente vítima do machismo que ainda impera na nossa sociedade, o que li em algum lugar, de autor desconhecido: “não importa o que fizeram com você, o que importa é o que você deverá fazer daqui por diante.

Modernamente são apontadas diversas formas de se alavancar a liderança, fazendo realçar tal característica muitas vezes embutida em uma personalidade acanhada, discreta ou humilhada. Aponta-se como alavanca: treinamento corporativo de liderança, eliminação dos óbices ao crescimento profissional,  igualdade de tratamento entre homens e mulheres e

extinção de todas as formas de violência, principalmente a imperceptível, muitas vezes (violência psicológica).

A capacitação é, sem dúvida, o instrumento para a construção da liderança, potencializando-se os predicados do líder, fortalecendo a sua autoestima, aprimorando a inteligência emocional e a visão estratégica dos negócios.

FINAL

Por tudo que se disse, é preciso anotar as palavras de ordem que modernamente estão no comando de qualquer direção séria, seja empresa pública ou privada:

  • Amor próprio (respeito e fé em si mesmo)
  • Barulho (tenha voz incessante na luta pelo respeito, grite, berre, exploda)
  • Conhecimento (tudo que você aprende é importante, não se conhece um líder que não tenha conhecimento que desempenha)
  • Saber dizer NÃO (sem medo, sem receio, embasando-se na realidade das coisas)
  • Feminismo ( estar alinhada aos movimentos pela igualdade)
  • União (várias mulheres juntas têm muito mais poder do que uma grande mulher sozinha, não dividam-se, somem-se)
  • Poder (a força que toda mulher tem guardada em si)
  • Representatividade (a mulher tem de representar a esperança, a força, a possibilidade de conquista)
  • Sororiedade (comportar-se como uma irmã, em busca do bem comum)
  • Cheque mate (jogada final)

Por comodismo ou medo nos portamos muitas e muitas vezes passivamente em situações que nos incomoda.

Não tolere o que lhe incomoda, jogue fora, descarte coisas, hábitos e pessoas que não nos fazem felizes. Prepare-se e arme-se para a batalha final: ser feliz e fazer a felicidade dos que nos rodeiam.

Goiânia, 22 de novembro de 2019

Eliana Calmon
(advogada)

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